Angélica

ANGÉLICA
Tudo aconteceu numa cidade do interior de Minas Gerais chamada Paracatu. Lugar que já foi cenário de histórias fantásticas, criadas em torno do ouro, da escravidão, dos amores perdidos e casos sem solução.
Nas redondezas do arraial do Santana, moravam o casal, Ana Angélica e Basílio com seus cinco filhos. Dentre eles tinha uma moça muito bonita que se chamava Angélica , dona de um par de olhos divinamente vivos e fascinantes. Possuia também uma vasta cabeleira negra, que fazia caracóis aveludados que além de realçar ainda mais a sua beleza, mostrava uma harmoniosa combinação com seus lábios vermelhos cor de tomate maduro.
À tarde Angélica sempre se arrumava ia para a janela da frente da casa, deixando cair sua farta cabeleira para o lado de fora. A pequena ficava ali horas a cantar uma melodia que suavemente invadia a alma de quem passava por aquela rua. Os vizinhos mais próximos eram ouvintes assíduos daquela cantoria.
Numa dessas tardes, um belo e formoso rapaz que passava por aquele local, ouvindo aquela voz, se aproximou, ficando simplesmente deslumbrado com a doçura e a beleza de Angélica. Um dia à noite voltou àquela casa e pediu a mão de Angélica em casamento. Os pais dela deixaram a resposta para ser dada em outro dia, isso com o intuito de procurar investigar a vida do rapaz e saber de suas posses e procedência, uma vez que naquela ocasião, o pai da garota era dono da única padaria do arraial e também filho de família tradicional da cidade.
Basílio descobre que o rapazinho era muito pobre e que colhia cabaças maduras no campo para vender de porta em porta. Foi o maior pé - de - vento! Houve a proibição do casamento entre os dois. Como Angélica também estava loucamente apaixonada pelo simplório rapazote, não resistiu, caindo em uma profunda tristeza.
O homem ao ver a filha naquele estado de abatimento, mostrou-se compadecido permitindo que o casamento se realizasse, só não imaginava que o infortúnio estava para acontecer. A moça buscando resistência física colocou o vestido de noiva da mãe no corpo foi até um terreno baldio envenenou-se e em seguida vindo a morrer. O rapazinho logo após o acontecido abandonou tudo que fazia e saiu como um mendigo pelo mundo a fora. As pessoas da cidade contam que até hoje, quem passa perto daquele terreno ouvem a melodia que Angélica cantava antes de conhecer seu único e verdadeiro amor.

Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio - Texto com o qual participei num concurso da FAFIPA.

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