quarta-feira, 29 de junho de 2011

Paracatu Tem Espaços Educativos







A cidade de Paracatu como espaços de possibilidades educativas.


Paracatu é o sexto município em extensão territorial dos 853 municípios que compõem o Estado de Minas Gerais. Situada no Noroeste de Minas, Paracatu é uma cidade que se destaca pela beleza do seu turismo ecológico, pelo seu calendário festivo e pelo desenvolvimento da sua agricultura, pecuária, mineração e indústria.
A cidade de Paracatu é antiga. Foi fundada pelos bandeirantes Felisberto Caldeira Brant e José Rodrigues Froes. Eles vieram em busca do ouro, quando o Brasil ainda era colônia de Portugal.
Descoberto o ouro, a atração exercida pela abundância com que este fluía de seus veios d’água contribuiu para o rápido crescimento do Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu. Após período de grande crescimento, o arraial foi elevado a vila com o nome de Paracatu do Príncipe, em 1798, por um alvará de D. Maria.

A queda do ouro provocou a decadência econômica da vila. Dos tempos de glória, a cidade conservou duas igrejas construídas no século XVIII – tombadas pelo patrimônio histórico – que abrigam uma grande coleção de imagens sacras dos séculos XVIII e XIX.
A cidade de Paracatu é envolvida pelo mistério, pelo antigo. Encanto a quem vem e quem precisam ir. Quem faz história e de quem faz riqueza. Quem bebe da água paracatuense se apaixona pelo lugar e por seus mistérios.
A bela e exuberante cidade de Paracatu é repleta de pessoas que se preocupam em escrever e contar sua história. A beleza do lugar é impresso nos olhares e nos sorrisos dessas pessoas.
Saí pela cidade, com um bloco e uma maquina fotográfica para caracterizar e registrar esse maravilhoso lugar, sua gente, o que cada um faz em seu espaço. Essas pessoas que contam a história do lugar.
Num sábado dia 19 de fevereiro no horário de 06h00min as 11h00min, fui à feira da cidade conversar com alguns dos donos de barracas, na feira de Paracatu. A feira localiza-se no centro da cidade, ao lado da Praça Firmina Santana, fundo com a prefeitura, na Rua Romualdo Ulhoa Tomba.
Iniciei minha atividade etnográfica com a Barraca da Canção Nova. Os responsáveis eram Maria de Fátima Macedo e Jesus Macedo. Disse-me que vende Livros católicos para pessoas da cidade e também por turistas de todo Brasil. O objetivo do casal é divulgar a fé cristã através dos livros e dos DVDs.
Logo após ter dialogado com o casal Fátima e Jesus, Fui até a banca das colchas de retalho. Peças maravilhosas dependuradas no varal. Dona Maria Honorata trabalha na feira há quatro anos, e trabalha com esse tipo de arte há uns 20 anos. Recolhe os retalhos nas costureiras da cidade para confeccionar as colchas. Ela diz que participa de eventos culturais em escolas da cidade. Segundo Maria Honorata sua clientela vai além dos limites da cidade e até mesmo turistas estrangeiros compram colchas dela.
Continuando a viagem etnográfica pela feira, parei na barraca do Dílson um artesão. Seu trabalho é manual. Mantém a família com o dinheiro que recebe do artesanato. Confecciona bibelôs, carrancas, figuras de humanos e animais, cadeiras, mesas, bancos, porta chapéus. Está nessa profissão como feirante há 10 anos. Sua cultura é levada também por turistas de todas as regiões do país. Não executa nenhum projeto social.
Durante a caminhada pela feira observei o quanto as pessoas gostam de artesanato as barracas estavam lotadas. Na barraca de Félix Oliveira Melo estava à venda uns bonecos feitos de cabaça, muito bem pintados. A cachaça artesanal é colocada em pequenos carros de bois. Várias pessoas param para comprar, outras só para admirar.
As pessoas que estavam ali faziam questão de perguntar o que eu fazia por ali com máquina fotográfica e agenda na mão. Sempre respondia com carinho e paciência, que estava fazendo uma pesquisa para faculdade de Artes Teatro. Ao lado da barraca de Félix Oliveira Melo estava à barraca da Vânia e do Tarsísio, um cadeirante que tem muita vontade de vencer na vida e encontrou na confecção de objetos de madeira a solução para viver intensamente a vida. O casal recebe muitas pessoas em casa em época de feiras de artesanato e também atende aos alunos de escola pública ou particular quando precisam de orientação sobre artesanato (fala de Vânia em nossas conversas).
Dentro da feira tem um homem que trabalha com a divulgação de tudo que ocorre na feira. Seu nome é Davi Brasil. Ele é o autor do projeto “Fique por dentro”. Divulga a música principalmente. Um dos objetivos desse projeto é promover o entrosamento entre as pessoas e valorizar; dança apresentação de grupo teatral, receber escritores. Grupos já apresentados o Catucando e Ogum. Divulga ação entre amigos, fala sobre temas como: hanseníase, dengue, trânsito etc. Muito alegre e conhecido na cidade e em outras localidades da região Sudeste. Davi tem uma empresa de Marcenaria, canta muito bem e divulga festas.
O calor estava insuportável, mas mesmo assim continuei minha jornada em busca de mais informaçoes. Não estava só, Milena também fazia o mesmo papel de pesquisadora, agora na barraca de Sra. Fátima Gonçalves Couto, 55anos de idade. Ela é a presidente da Associação dos Feirantes de Paracatu. Fátima nos disse que lutou muito para criar essa associação e em dez de janeiro de 1983 conseguiu realizar seu sonho. Hoje muitas pessoas direta ou indiretamente dependem da feira para sobreviver. Tanto as pessoas da zona urbana quanto as da zona rural. Fátima além de presidente também vende verduras em uma banca. Ela também é professora e está em final de carreira. Ela diz que quer continuar lutar para feira continuar funcionando.
No dia 24 de Fevereiro das 18h00min às 22h00min entrevistei o pintor de parede José Antonio Pereira Gama e sua filha Danny Gama. Eles são meus vizinhos moram na Rua Genesco Gonçalves nº 167. José Antonio é um homem moreno, alto e muito sorridente. É casado com a dona de casa Marisa e com ela teve quatro filhos.
_Com o dinheiro que ganha da pintura, criei meu filhos. Formei Paulo para Técnico em eletrônica, Rose em Geografia, Amanda em Biologia e Danny ajudo na profissão de cantora. _Disse ele todo entusiasmado! José Antonio é um homem de coragem. Pinta parede, vasos e portões na cidade de Paracatu e também em Brasília. Tem 25 anos nessa carreira. Adora fazer amizade e gosta de dar festas para comemorar todos os aniversários da casa. O sonho de Zé é ensinar a profissão aos jovens de baixa renda. Ele quer realização Financeiramente também, já que trabalha muito e gostar da arte de pintura.
Depois da conversa co José Antonio foi à vez de Danny, sua filha casula. 18 anos, terminou o ensino médio em 2010. É cantora: canta numa banda, juntamente com o companheiro de trabalho Vinicius. Exerce essa profissão Há três anos, diz que é sua paixão. Danny disse-me que o seu estilo é eclético. Canta em festas, bares, escolas, Divulga a fé cantando nas igrejas, Toca bumbo no desfile da cidade. Ajuda voluntariamente com sua música em orfanatos, madrugada do Enem em escolas públicas. Seu ideal é conseguir um lugar na fama. E o sonho profissional fora a música é Engenharia de Produção ou direito.
Fiquei lá até as 22h e 30 min., saboreando as músicas cantadas por Danny e acompanhadas pelo bom humor de seu pai, alcunhado pelo povo de Zé Bigodão.
No dia 23 de fevereiro das 07h e 30 min. às 11h e 30min, fui ao centro histórico da cidade. Comecei pela casa de cultura, localizada no Centro Histórico de Paracatu.
Este belo exemplar de construção do século XIX foi de propriedade do Coronel Domingos Pimentel de Ulhoa. A partir do século XX, sediou várias instituições educacionais.
1908 – Escola Afonso Arinos.
1913 a 1918 – Escola Normal.
1926 a 1927 – Liceu Paracatuense.
1928 – Escola Normal.
Após a Escola Normal, abrigou a Escola Afonso Roquete.
Durante vários anos, a casa esteve abandonada, até que foi restaurada na década de 80. Em outubro de 1988, foi inaugurada como Casa de Cultura. Em 1993, pela lei municipal nº 1891, foi criada a Fundação Municipal Casa de Cultura, que abriga o Arquivo Público Municipal, o Museu Histórico, a Biblioteca Pública René Lepesquer e a Casa da Cultura.
Permanentemente expostas na Casa da Cultura estão as fotografias das grutas e cachoeiras da cidade, fotos históricas e telas com paisagens de Paracatu.
O artesanato de Paracatu é divulgado pela Casa através de exposição e venda.
Endereço: Rua do Ávila s/n°
Bairro: Centro
Telefone: (38) 3671-4797
Referências: Próximo à Igreja do Rosário / Desce pela Avenida Quintino Vargas, vira à esquerda na Rua Goiás e após a Igreja do Rosário Vira à Direita.
Conhecemos dentro da Casa de cultura alguns espaços reservados a bordado, teatro e música, dança e pintura. Nessa manhã tive o prazer de contatar com Um grupo de bordadeiras, cuja professora é Imaculada de Farias, natural de Jussara Goiás, 23 anos ela mora em nossa cidade. Ensina bordado em geral: tricô e crochê, colares com bolinhas de isopor. Trabalha na casa há seis anos. Em seus trabalhos retrata a história da cidade de Paracatu. Retrata o ouro, os garimpeiros de antigamente.
Os aprendizes trazem seus materiais e vendem os produtos. O dinheiro fica com eles. São 40 alunas ao todo. Os cursos são ministrados nas terças de 14h00min as 16h00min e nas quartas-feiras de 08h00min as 10: hs. Está com um projeto em mente com auxílio da RPM “Bordando Paracatu em artes”. A professora pretende levar os alunos a palestras para levantar o baixo estima passeios no centro da cidade e dar assistência a usuários de drogas. Terão 20 pessoas envolvidas.
Tive a honra de entrevistar uma mulher maravilhosa: Maria Romualda, ex vereadora, educadora aposentada e hoje coordenadora do projeto da Casa de Cultura “Conviver de Coração aberto”. Incentiva o grupo a pequenas apresentações teatrais. Há nove anos Na Rua Ricardo Adjuto 201, oferece ginástica na quadra nas terças- feiras e o bingo nas quartas-feiras. Maria disse que as pessoas da terceira idade são encantadas com o grupo de apoio e que ficam torcendo para chegar os dias dos encontros. Uns dizem que encontram a paz naquele lugar, pois reclamam dos filhos e dos netos que não dão sossego a eles.
Maria revela que paga a cozinheira do seu bolso para fazer a comida dos velhinhos e também recebe ajuda de quatro voluntários. Fazem louvores ecumênicos devido a religiões distintas. No culto eles podem levar familiares. Participam também de festividades em datas comemorativas. Maria diz que o teatro está sempre presente para representar estas festas.
O sonho de Maria Romualda é criar o centro de apoio ao idoso.
Na Casa de Cultura encontrei José Augusto Oliveira Melo cuja profissão é músico. Desde a infância maneja instrumentos musicais e há um ano ministra o curso de violino, flauta doce, saxofone, flauta transversal e clarinete. Tem 35 alunos nesse curso com duração de sete meses. O Projeto tem o nome Casa de Cultura/prefeitura.
Augusto tem também um projeto que ele executa em escola pública que recebe o nome de “Voz da Juventude”. Trabalha na EE Júlia Camargos recentemente com parceria com a CICOP. Lá oferece oficinas de danças, música com auxílio da professora Juliana. Depois de três meses apresentam um sarau e show de danças em escolas, feira, bancos e praças. Já o projeto da casa de cultura fecha com um recital em dezembro. Vi muita vontade de trabalhar nesse professor. No momento de nossa conversa, os alunos permaneceram ensaiando suas músicas. Reparei o quanto ele os trata com carinho e respeito.
Jonathas Soares de Jesus também é professor do instrumento de corda mais elegante do planeta, o piano. Ele além da Casa de Cultura é tecladista de uma banda famosa na cidade “Emanuelle e Banda”. O curso que ministra acontece de janeiro a março. Das 09hs00min. Às 11hs00min. E das 14hs00min. A culminância do projeto é o recital no mês de dezembro. Jonathas diz que faz faculdade de Sistema de informação e o objetivo principal é trabalhar com seus instrumentos eletrônicos. Ele tem um ideal que é desenvolver um projeto social que abranja muita gente de todas as idades.
Nosso próximo ponto de coleta de dados foi na Academia do Noroeste de Minas.
Academia de Letras do Noroeste de Minas tem sede e foro em Paracatu, Estado de Minas Gerais. A sua sede situa na Rua do Ávila, nº 84 - Centro - CEP 38600-000. Telefone (38) 3671 1675
Trata-se de Entidade reconhecida como de Utilidade Pública Municipal pela Lei nº 2.238/99 e de Utilidade Pública Federal pelo Decreto nº 50.517/61, amparado na Lei nº 91/35.
A área de abrangência da Academia compreende, atualmente, as dos territórios dos dezenove municípios que integram as microrregiões de Paracatu, onde se sedia a Entidade, e Unaí que, juntas, representam a mesorregião do Noroeste do Estado de Minas Gerais.
Cheguei à Academia De Letras e esperei a Dona Coraci Da Silva Neiva Batista chegar, por uma hora. Nesse intervalo a secretária nos levou para conhecer os aposentos da casa. Eu como sou escritora, sem cadeira na casa na verdade estava retornando. Parei em frente a um armário onde tinha uns 100 livros de escritores não acadêmicos. Comentei com minhas colegas: _ Se não fosse esses anônimos como seria as cidade sem história? Cada um que escreve conta de um modo ou de outro a vida das cidades, dos bairros, sua própria história ou a história da própria pessoa. Intrigante e angelical!
Dona Coraci Da Silva Neiva Batista nos recebeu muito bem. Principalmente quando nos apresentamos como estudantes de Artes e de Artes Teatro. Disse que somos chiques. Ela nos relatou toda a história de dificuldades que ela encontrou para que a Academia viesse a ser verdade. Disse que reuniam em qualquer local, pedia dinheiro para construir a casa. Em fim recebeu a casa de doação. Foi barrada várias vezes por causa da burocracia, pois as casas antigas tem certas restrições para serem reformadas.
Na Academia são realizados lançamentos de livros, saraus e seminários. As produções teatrais são presentes nas festividades e são sempre oferecidos pela Casa de Cultura. O ambiente é muito agradável e aconchegante.
A entrevista não pode ser muito extensa, pois Dona Coraci está de repouso médico e ainda tinha que receber um grupo de turismo para entrevista.
À noite do dia 26 de fevereiro entrevistei o Técnico em segurança no trabalho e também estudante em engenharia ambiental Evaldo Soares Siqueira. Tem empresa (BIOFONT) e residência à Rua Genesco Gonçalves 190. É estudante de Engenharia ambiental na FINOM. Sua firma dá consultoria ambiental. Ele acredita que a segurança no trabalho é muito importante e que gostaria que seus funcionários pudessem ter aprendizado através do teatro. Ele tem um sonho em poder ajudar as crianças a se conscientizarem sobre a importância da preservação do meio ambiente.
No domingo de manhã entrevistei a professora, bordadeira e quitandeira Maria José Borges de Melo. Mãe de quinze filhos. Minha mãe e de Milena. Ela reside à Rua Alexandre Silva nº 82 Centro. Relatou-me que optou por três profissões para ter condições de nos criar. Aposentou com mais de trinta anos de serviço de professora e já fez enxoval de muita gente na cidade fora dela. Bordava na máquina ponto aberto, recheliê, ponto cheio e matizado. Hoje não tenho boa saúde por isto tive que me afastar das outras duas atividades. Faço quitandas somente para meu uso.
A pesquisa foi muito importante para eu entender um pouco de como as pessoas e os espaços são fundamentais para que a educação ocorra. Fui bem recebida em quase todos os lugares e me senti muito importante fazendo esse papel.
Bibliografia: www.academialetrasnoroestemg.com.br/
Dicionário Aurélio
Documento da Casa de Cultura
OLIVEIRA Mello- Paracatu Meu Bem Querer ( Páginas 17 a 30).

Autora da pesquisa: Maria Teresa Oliveira Melo Cambronio
Estudante de Artes Teatro pela UNIMONTES- Julho 2011