Metade da Laranja

A metade da laranja Estive num velório de uma mulher que faleceu aos trinta anos. Encontrei um homem acompanhado de apenas um casal velando a senhora cujo nome será apenas fictício por motivos éticos. A chamarei de Anjo. Serafim contou-nos que estava sem rumo na vida. Ficava bebendo e dormia nas ruas de Paracatu. Ele disse-nos que quarenta dias atrás estava em um desses ambientes em que bebia, quando encontrou com um amigo que apresentou-o a uma mulher chamada Anjo, que também era moradora de rua e sofria da terrível doença " alcoolismo". O amigo disse a Serafim (nome fictício) que já que ele estava só, que a moça seria uma excelente companheira para ele no emprego que um casal muito bondoso ofereceu para ele numa fazenda longe da cidade. O rapaz disse que logo que bateu os olhos nela sentiu que algo mudaria a vida dele para sempre. Logo pegaram as poucas coisas que tinham e partiram para a nova vida que o casal de fazendeiros lhes oportunizaram. Anjo prometeu a Serafim que jamais colocaria bebida na boca e Serafim também não mais bebera. Os dias foram se passando e os dois cada vez mais envolvidos. Anjo ajudada por Serafim trabalhou muito plantando milho e outros alimentos, que seriam suficientes para suas subsistências dali para frente. O casal estava muito feliz , mas infelizmente ontem, dia 19 de janeiro de 2013, mais ou menos meia noite, Anjo reclamou de uma dor de cabeça. Serafim levantou com muito cuidado e carinho e fez um chá de boldo do Chile para ela. Deitaram-se e às quatro horas da manhã Serafim acordou com o grito de Anjo, cujo tempo só teve de abraçá-lo e colocar a mão em seu peito. Serafim levantou assustado acendeu o lampião e e notou que Anjo estava morrendo. Ficou sem saber o que fazer sentou-se ao lado da amada e chorou copiosamente. De repente levanta-se, monta em um cavalo e sai a procura de ajuda já que não tinha ninguém morando ali por perto. Logo mais encontrou-se com seu patrão que vinha da cidade para saber como estavam as coisas por lá. Ficou constatado a morte de Anjo, na perícia feita na cidade. Serafim disse que foi muito difícil encontrar parentes dela. Conseguiram apenas com os poucos dados que ela tinha dado ao contar as histórias de sua vida para ele durante esses quarenta dias. Vimos muita tristeza nos olhos do homem ao ver a amada ali naquele último adeus. As pessoas que vinham para o outro velório que estava no mesmo local ficavam impressionados com aquelas poucas pessoas ali velando aquela moça entravam e também rezavam pela alma dela. Apenas um anjo que encontrou com sua alma gêmea, a metade de sua laranja e que tiveram a oportunidade que fazerem-se felizes em tão pouco tempo. Que abençoe Serafim para que dê um bom rumo a sua vida e também de bençãos aos protagonistas que fizeram esse encontro acontecer. Maria Teresa O M Cambronio

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